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segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

VELHAS HISTÓRIAS, NOVAS ROUPAGENS.

 

Histórias mal contadas

Enquanto batiam cabeça para juntar textos antigos, com o objetivo de montar um livro único que pudesse servir de base para sua religião, os judeus cometeram alguns deslizes, alguns deles foi colocar histórias repetidas, que se diferenciavam apenas pela troca dos nomes das personagens, do tempo, do cenário e de pequenos detalhes nos seus desfechos.



1 . A história Ló em Sodoma e do Levita em Gibeá

Ao ler a história de Ló, contada em Gênesis 19, no episódio em que ele recebe dois estranhos em sua casa e a tem cercada pelos sodomitas que desejavam estuprar os seus hóspedes, o fiel descuidado e influenciado pela sua crença, não percebe que esta mesma história se repete em Juízes 19 com uma nova roupagem.

No remake (recontagem da história) em Juízes, Ló é substituído por um camponês, enquanto os hóspedes são substituídos por um viajante levita e sua concubina. Quanto ao cenário, a cidade de Sodoma, supostamente situada ao sul do Mar Morto, é substituída por Gibeá, cidade da tribo de Benjamim, supostamente situada ao norte do mesmo mar.

Aparentemente as duas histórias tiveram origem em uma lenda que se contava nas regiões em torno do Mar Morto, visto que a distância entre as duas cidades não é muito grande, cerca de cem quilômetros.

Como tudo na Bíblia é sempre impreciso e confuso, não se pode situar as duas histórias no tempo, até porque, provavelmente elas nem tenham acontecido de fato, como já dito, podem não passar de uma versão alterada de uma antiga lenda que, havia muito tempo, corria na região. Mas, seguindo a cronologia grotesca da bíblia, pode-se inferir uma lacuna de 500 a 700 anos entre elas.

Para compararmos o plágio ocorrido entre as duas histórias, vamos analisar cada trecho, separando-os em tópicos e fazendo breves comentários (em itálico).

1.1 Cenário, horário e personagens

Na história de Gênesis, dois personagens (que a bíblia apresenta como anjos) chegam à praça da cidade de Sodoma ao anoitecer e encontram Ló sentado próximo ao portão principal. Na história de Juízes, dois personagens (um levita e sua concubina) chegam à praça da cidade de Gibeá também ao anoitecer, e ali encontram um camponês adentrando o portão principal.

Notamos aqui que tanto o cenário e o horário quanto o número de personagens envolvidos são exatamente os mesmos. Se desconsiderarmos os sexos dos personagens e lhes déssemos os nomes de A, B e C, veremos que a segunda história é uma reprodução exata da primeira.

1.2 O convite para uma noite de terror

Na história de Gênesis, Ló convida os recém chegados a passarem a noite em sua residência e eles, a princípio, recusam. Mas, Após muita insistência de Ló, decidem aceitar. Na História de Juízes o camponês também convida os recém chegados a passarem a noite em sua casa eles também recusam o convite. Mas também acabam aceitando após muita insistência.

Na casa de Ló os visitantes foram bem recepcionados, lavaram os pés e se alimentaram. O mesmo aconteceu na casa do camponês, os visitantes lavaram os pés e comeram alguma coisa.

Como a apresentação de uma peça de teatro, temos também aqui o mesmo cenário e a atuação dos mesmos personagens em ambas as histórias.

1.3 As ofertas recusadas

Um caso estranho acontece na casa de Ló. Após o jantar, antes de irem deitar, todos estavam conversando, a casa é cercada por homens que queriam estuprar os visitantes. Coincidentemente, o mesmo ocorre na casa do camponês. Todos estavam entretidos antes de dormir, quando a casa também é cercada por um bando de estupradores, ávidos por abusar sexualmente dos visitantes.

Afim de preservar a integridade física dos seus hóspedes, Ló toma uma decisão digna de nojo. Ele, sem pensar duas vezes, sai para negociar com os homens que cercavam a sua casa e oferece duas mulheres - suas duas filhas virgens - para serem estupradas à vontade por aqueles eles. A cena se repete na casa do camponês e a atitude que ele toma é exatamente a mesma - sair para negociar, oferendo duas mulheres, a sua filha virgem e a concubina do seu hóspede para serem estupradas.

Não se sabe o porquê, mas, em ambas as histórias, os homens recusam as mulheres, pois queriam mesmo manter relações homossexuais. Na minha opinião, o comportamento dos indivíduos citados na história aparenta mais ser um distúrbio animalesco do que uma simples atração sexual. Particularmente, não tenho conhecimento de que algum dia na história secular, grupos de gays se reuniram em bandos e saíram ameaçando arrombar casas afim de terem relações forçadas com homens. Só por isso já me ponho a inferir que ambas as histórias são fantasiosas pois não fazem nenhum sentido.

1.3 Desfecho macabro

Tragédias, sangue e muito sofrimento são elementos que quase sempre estão presentes nas histórias da Bíblia, e nestas duas histórias não podia ser diferente – elas trazem morte no final.

Na história de Gênesis 19, Ló e suas filhas precisam sair às pressas da cidade para fugirem de uma estranha chuva de fogo. A esposa de Ló contraria uma ordem sem sentido de não olhar para trás e morre petrificada, tornando-se um obelisco de sal.

Na história de Juízes 19, como se fosse um saco de lixo, a concubina do levita é jogada por ele para fora de casa e, não podendo voltar, pois ele fechara a porta imediatamente, ela é cercada e estuprada a noite inteira por vários maníacos sexuais. De madrugada, quando a violência termina, ela, já sem forças para se manter de pé, se arrasta e morre a poucos metros da porta da casa, onde o seu senhor (e algoz) dormia tranquilamente, como se nada tivesse acontecido.

Lembro me perfeitamente de ter feito uma leitura completa da bíblia, livro por livro, durante o tempo em que pertenci a uma instituição religiosa evangélica. Mas não me lembro de ter passado por estas duas histórias com a mesma sensibilidade com a qual faço agora. Também não lembro de ter percebido a similaridade entre as duas. Parece que a religião me entorpecia, me impedindo de enxergar o que estava bem ali, diante dos meus olhos.

 

2 . Abraão e Isaque, a mesma sina, a mesma cena e as mesmas trapaças

Outras histórias que não podem deixar de ser citadas são as histórias envolvendo Abraão, seu filho, Isaque e suas esposas, bonitas e estéreis.  Nestas histórias acontecem fatos cuja probabilidade de serem meras coincidência é muito remota. Talvez aqueles que dedicaram à tarefa de juntar material para compor a Bíblia estivessem tão entusiasmados, ou entediados, que não perceberam que estavam duplicando textos. Ou então colocaram estes textos de propósito, como um elemento de apoio, para aumentar a dramaticidade das histórias. Vamos às coincidências

Contrariando suas próprias afirmações de que Deus jamais apareceu e foi visto por um ser humano (Êxodo 33.20; João 1.18; I João 4.12), a Bíblia diz que Deus apareceu às personagens, primeiro a Abraão e depois a Isaque.

2.1  As mesmas promessas

Nos capítulos 12, 13 e 15 de Gênesis, Deus aparece a Abraão e promete terras e riquezas para ele e para os seus descendentes. Deus também fala para Abrão que seus descendentes serão tão numerosos quanto os grãos de areia e incontáveis como as estrelas.

Em Gênesis 26, Deus aparece a Isaque para fazer exatamente a mesma coisa, prometer terras e riquezas para ele e para os seus descendentes. Assim como na primeira história, Deus também diz a Isaque que seus descendentes também serão numerosos, e usa as estrelas para aludir ao número de descendentes.

Vale salientar que, depois de Deus ter feito as promessas para Isaque, ele disse que seu pai havia obedecido e guardado os seus estatutos e suas leis, mas até aquele momento não havia nenhum estatuto e nenhuma lei escrita para que alguém pudesse os cumprir. Se estes estatutos e leis fossem algo de tanta importância, a ponto de quem os seguisse obtivesse tantas benesses, até para efeito de justiça, eles deveriam estar escritos em algum lugar, como no caso dos mandamentos dados a Moisés.

2.2  A mesma fome, a mesma farsa

Gênesis 12 diz que houve uma grande fome na região onde Abraão estava, obrigando-o a viajar para a cidade de Gerar. Para não ficar para trás, Gênesis 26 já começa falando que uma grande fome assolou a região onde estava Isaque. E você quer saber para onde ele viajou para escapar da fome? Bingo! Isaque vasou para cidade de Gerar.

Na cidade de Gerar, dominada pelo povo filisteu, Abraão recorre a uma mentira para livrar sua pele. Como a sua esposa, Sara, era uma mulher muito bonita, Abraão pediu para que ela se passasse por sua irmã, pois, caso contrário, o rei da cidade de Gerar, chamado, ou intitulado, Abimeleque, o mataria para ficar com ela.

É muita coincidência para ser mero fruto do acaso, mas, anos depois, na mesma cidade, a cena se repete, agora com outro personagem, Isaque. Também temendo ser morto pelo rei da cidade de Gerar, também chamado ou intitulado Abimeleque (não se sabe se se trata da mesma pessoa), Isaque pede para que sua esposa, Rebeca, se passe por sua irmã.

Mesmo que o Abimeleque que caiu na mentira de Isaque não fosse o mesmo que caíra na mentira de Abraão, ele deveria ter conhecimento da tática dos israelitas de mentirem, dizendo que suas esposas eram suas irmãs. Na primeira história, que envolveu Abraão, o rei Abimeleque o recompensou com tantas riquezas e privilégios que os boatos se espalhariam tanto que o caso seria comentado por anos e anos.

2.3  A mesma sina

Estranhamente, Tanto Abrão quanto Isaque e, até mesmo, seu filho Jacó, compartilham a mesma sina, as esposas de todos eles são estéreis (Gênesis 16.1 e Gênesis 25.21).

Em uma terra em que as demais mulheres engravidavam ao primeiro encontro (Gênesis 16.2-4; Gênesis 30.1-5; Gênesis 30.9-10), a possibilidade de pai, filho e neto se casarem com mulheres estéreis seria muito remota, a menos que eles buscassem justamente isso, mas não foi esse o caso.

 

Para concluir

Pode parecer irrelevante, mas repetição da mesma história com personagens diferentes certamente joga uma pá de dúvidas sobre o conjunto todo da Bíblia, pois denota uma certa falta de cuidado na seleção dos textos, já que os seus seguidores guardam consigo, e tentam passar aos outros, a ideia fixa de que ela fora escrita sob uma inspiração divina.

Aprofundando o raciocínio, não é fácil nos convencer de que uma história não é um completo plágio da outra. Ou, pior ainda, pode haver a grande possiblidade de que uma história semelhante, quiçá de outras crenças, tenha servido de base para estas que entraram para a Bíblia.

Quem questiona aprende, quem não questiona acredita.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

O INCRÍVEL ENCONTRO DAS ONZE GERAÇÕES.


A bíblia não mostra, talvez por descuido daqueles que a elaboraram, que todos os patriarcas pós-diluvianos da família de Abraão estavam incrivelmente “vivinhos da silva” quando este completou seus quarenta anos de vida. Precisei recorrer à morfologia para classificar o grau de parentesco de muitos deles em relação a Abraão. É cansativo, mas vale a pena conferir no que deu: Terá era seu pai, Naor era seu avô, Serugue era seu bisavô, Reú era seu trisavô, Pelegue era seu tetravô, Heber era seu pentavô, Selá era seu hexavô, Arfaxade era seu heptavô, Sem era seu octavô e Noé, seu eneavô. É absurdo, mas, de acordo com a bíblia, eles foram contemporâneos por, pelo menos, quarenta anos.

Só para dar um exemplo, de acordo com a bíblia, quando Noé morreu Abraão estava com cerca de sessenta anos. É muito estranho o fato de estas duas pessoas tão importantes na narrativa bíblica nunca terem se encontrado ou, pelo menos, tentado se comunicar uma com a outra. Também não há nenhum registro de Abraão tomando conhecimento e lamentando a morte de Noé, a grande estrela da história do dilúvio, ocorrido havia pouco mais de trezentos anos.


Causa estranheza também o fato de, depois do dilúvio, Noé ter mergulhado no mais completo anonimato, e nele permanecido, por trezentos e cinquenta anos, até a sua morte. Sequer um comentário há sobre Noé questionando existência da maldade entre os homens nas cidades de Babel e, posteriormente, em Sodoma, mesmo havendo tão pouco tempo desde que havia ocorrido o grande dilúvio, quando Deus o submetera a passar quase um ano de tortura, dentro de uma arca fétida, cheia de animais, com fezes e urina pra todo lado e infestada de insetos, justamente para acabar com a maldade entre os homens.


Até fico imaginando uma situação hipotética, embora biblicamente possível, em que Abraão decide reunir os seus ancestrais vivos para uma festa por ocasião do seu aniversário de quarenta anos, e descobre que, por incrível que pareça, todos eles, desde o seu pai até Noé, estão vivos. Se à época já existissem máquinas fotográficas, daria até para reunir todos na mesma foto. Mas talvez fosse necessária uma lente grande angular.


Pode até ser que haja um ou outro pastor, ou líder religioso, que tenha chegado à conclusão de que Abraão e Noé tenham sido contemporâneos por algum tempo. Quem quiser fazer prova disso, basta perguntar a algum padre, pastor, rabino ou qualquer cristão se Abraão poderia, algum dia da sua vida, ter se encontrado e cumprimentado Noé com um aperto de mão. O único empecilho, no caso, seria a distância, mas como no subconsciente da maioria dos religiosos já se implantou a ideia de que os dois personagens não viveram à mesma época, ele certamente te olhará com um ar de superioridade de quem conhece a bíblia e responderá que o tempo seria o obstáculo.

Enfim, tudo isso pode até ser aceito por muitos como tendo sido fatos verídicos, mas para mim não passa de fantasia demais e sensatez de menos.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

SE EU FOSSE DEUS

Há um conhecido provérbio que diz: “Prego que se destaca leva martelada”.

Eu poderia estar criticando qualquer outro deus, mas como o deus judaico-cristão (Javé ou Jeová, como queiram) -  que doravante chamarei simplesmente de “Deus”, pelo fato de ele assim ser mais conhecido - é o mais popular aqui no Brasil, nada mais lógico que ele seja também o mais criticado. Portanto, é só por este motivo que direciono a ele a maioria das minhas críticas.

Os seguidores de Deus costumam dizer que a desobediência dos primeiros humanos às suas instruções é a causa de todos os males que acometem a humanidade e, por tabela, os outros animais.

Apesar de Deus em alguns momentos, sempre que conveniente, assumir características particularmente humanas, como, se arrepender (Gênesis 6.6; Êxodo 32.14; I Samuel 165.35 e Amós 7.3), se esquecer de algo (Gênesis 30.22; Êxodo 6.5; Salmos 105.11; Salmos 105.42) e, como nós, precisar ver com os próprios olhos para acreditar em algo (Gênesis 11.15), a sua característica mais marcante é a de um ser extremamente sádico, que sente um prazer inexplicável com o cheiro da fumaça exalada pelo corpo de um animal sendo queimado e, pior, com o derramamento de sangue de homens em batalhas e animais executados em sacrifício.

Mas, será que os seus seguidores não se apercebem que se ele de fato existisse, se fosse realmente o criador do universo, se mantivesse tanto poder concentrado em suas mãos e fosse senhor absoluto de todas as suas vontades, o mundo obrigatoriamente deveria ser o que imaginamos ser um paraíso?

A título de exemplo, se eu fosse Deus, com os poderes a ele atribuídos, nada -nada mesmo - me impediria de fazer do mundo o paraíso com o qual a humanidade tanto sonha.

Se aceitássemos a ideia de que o universo tivesse sido criado como na bíblia está escrito, concluiríamos que os erros cometidos por Deus no suposto plano de criação do universo seriam muitos, e, além disso, determinantes nos fatores que contribuiriam para que o mundo fosse o que hoje é. A maioria deles, eu, se fosse Deus, jamais cometeria, pois saberia de antemão que desencadeariam eventos comprometeriam seriamente o projeto de tornar o mundo um paraíso.

Portanto, primeiramente, se eu fosse Deus, não criaria anjos, pois, sendo onipresente, eu não precisaria deles e, sendo onisciente, saberia que um deles se rebelaria, se tornaria o que chamamos de demônio, corromperia milhões de outros anjos e lideraria um motim no céu para tomar o meu lugar.

Se eu fosse Deus, não criaria um universo tão vasto, com imensas galáxias, pulsares, quasares e buracos negros, afastados entre si por distâncias imensuráveis, para colocar os seres humanos em uma “bolinha” quase imperceptível até mesmo se observada do planeta mais próximo.

Se eu fosse Deus, não criaria a Terra sujeita a tantos fatores os eventos, como, pragas, epidemias, secas, tempestades, vulcões, terremotos, tsunamis e furacões, que ameaçam a segurança dos seus habitantes.

Se eu fosse Deus, não criaria animais presas e predadores.
Se eu fosse Deus, não criaria o homem com sentimentos de inveja, orgulho, preconceito e tantos outros que nada acrescentam à espécie humana. Dispensaria a prática de sacrifícios e ofertas, pois elas certamente causariam a inveja de um irmão em relação a outro, por julgar que a oferta deste foi melhor que a sua.

Se eu fosse Deus, encheria o mundo apenas com pessoas boas, não permitiria que pessoas más viessem ao mundo para perturbar a paz.
Se eu fosse Deus, não colocaria uma árvore no planeta Terra para proibir e punir, com ameaça de morte e sofrimento eterno, os primeiros seres humanos que desobedecessem e comessem dos seus frutos, estendendo esta punição desproporcional a todos os seus descendentes.

Se eu fosse Deus, não autorizaria que uma nação invadisse outra para saquear e matar indiscriminadamente milhares de pessoas, poupando apenas as jovens virgens para serem estupradas e servirem de escravas sexuais.

Se eu fosse Deus, nunca permitiria que um filho perdesse seus pais e jamais imporia aos pais a dor de perder um filho.
Se eu fosse Deus, não ordenaria o espancamento de um filho desobediente e, tampouco, o seu apedrejamento até a morte, caso ele insistisse em desobedecer.

Se eu fosse Deus, jamais puniria o homem com um sofrimento eterno, por faltas transientes. Eu, sabendo das consequências das suas decisões, sentaria ao seu lado e orientaria a tomar mais certa.

Se eu fosse Deus, não me esconderia por trás de tantos mistérios, eu falaria diretamente com cada uma das minhas criaturas, evitando a exploração religiosa por parte de aproveitadores e charlatães que fazem da fé alheia fonte inesgotável de lucros, que impõem aos seus incautos seguidores uma vida de sacrifícios.

Se eu fosse Deus, não exigiria adoração - adoraria ser adorado ou, melhor, amado apenas por ser um deus, acima de tudo, humano.

Enfim, se eu fosse um deus criador do universo, sendo detentor de toda sabedoria e absoluto poder, o mínimo que poderia se esperar de mim é que este universo fosse perfeito.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

UM PÉSSIMO CONSELHO BÍBLICO.


O fato de a bíblia ser considerada um livro que traz paz para a humanidade se dá pela supressão de textos que incitam a violência. Para que sua reputação não seja prejudicada, os líderes religiosos, estrategicamente, omitem estes textos de suas pregações e desestimulam a sua leitura. Até mesmo os tradutores utilizaram-se de palavras desconhecidas do grande público, a fim de dificultar a sua compreensão.

Um exemplo disso, e o texto de Deuteronômio 13:6-10, que, em linguagem simplificada, mostra Deus advertindo o seguinte:

"Se o seu irmão, seu filho, sua filha, sua esposa, seu esposo ou algum dos seus amigos te convidar a adorar qualquer outro deus além de mim, não aceite!
Mas não basta recusar o convite - você precisa matá-lo sem piedade! Você não pode deixá-lo fugir ou se esconder.
E, um detalhe, você precisa ser o primeiro a atacá-lo - depois deve deixar que outras pessoas terminem o serviço.
Ele deve ser apedrejado ate a morte, por ter tentado te convencer a deixar de me adorar."

Um leitor desatento, no afã de simplesmente ler a bíblia, não perceberá a gravidade deste texto. Mas são textos como este que disseminam ódio, intolerância, terrorismo e assassinatos, com requintes de crueldade, por parte de extremistas religiosos.

Portanto, quando alguém lhe disser que a bíblia só traz bons conselhos, é bom "ficar com um pé atrás".

sábado, 6 de junho de 2015

A BÍBLIA E A MACABRA INVASÃO DE ZUMBIS.

Um dos relatos mais absurdos e bizarros da bíblia (que não são poucos) é narrado no capítulo 27 do livro de Mateus. Trata-se de um caso que, de tão macabro, deve causar inveja a qualquer roteirista de filmes de terror.

Acredito que pouquíssimos cristãos conheçam esta história. Pois os pastores, padres e afins procuram evitá-la em suas pregações - talvez para não gerar especulação e, consequentemente, expor a fé dos cristãos ao ridículo.

De acordo com o texto, no momento em que Jesus morreu, houve um tremor de terra e, com isso, algumas sepulturas se abriram. Então, um evento estranho aconteceu. Diz o texto que alguns corpos, que estavam sepultados na região, ganharam vida e invadiram a cidade de Jerusalém. O escritor do texto, talvez com a intenção de dar veracidade à sua narrativa, salienta que muitas pessoas viram estes mortos-vivos vagando pelas ruas da cidade.

O que causa estranheza é o fato de um evento tão extraordinário como este não ter sido documentado por ninguém das nações vizinhas de Israel. Nem mesmo por algum cidadão ou soldado de Roma, que dominava o país na época. Até porque, não é nada normal um monte de zumbis caminhando entre as "pessoas vivas".

Você já se imaginou acordando à noite e, ao olhar pela janela, se deparar com um zumbi?

Apesar de absurdas, todo crente que se preza tem que acreditar em histórias como esta. Mas o pior de tudo é que eles querem, a todo custo, que acreditemos também.

Referência: Mateus 27:50-53

NA REALIDADE O FOGO QUEIMA. VOCÊ DUVIDA?

No Paquistão, país muçulmano e extremamente intolerante em relação às demais crenças, um casal de cristãos foi atacado por uma multidão enfurecida de muçulmanos.

As vítimas (marido e mulher) foram acusadas de blasfêmia por terem, supostamente, profanado uma cópia do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos.

Mesmo sem provas nem julgamento, ambos foram espancados e depois jogados vivos no forno de tijolos da olaria onde trabalhavam (A prática de jogar os inimigos em forno ardente é inspirada na bíblia - em II Samuel 12:31, a bíblia mostra que o rei Davi, além de outras atrocidades, costumava fazer isso).

Esse fato me trouxe à mente uma passagem da bíblia, do livro de Daniel, que discorre sobre três homens, Judeus, que foram jogados em uma fornalha em chamas por não se curvarem diante da estátua do rei. De acordo com o texto, a temperatura das chamas era tão alta que consumiu instantaneamente os guardas, encarregados de lançar os condenados à fornalha. Porém, como aqueles homens eram fiéis a Deus, as chamas não lhes causaram dano algum, sequer um fio dos seus cabelos fora queimado.

Esta história é de fato interessante, não acha? Ela empolga milhões de seguidores das religiões derivadas do judaísmo no mundo inteiro.

Mas é lamentável que fatos semelhantes ao narrado nesta história, estranhamente, só aconteçam na bíblia, ou melhor, na ficção.

É evidente que aquele casal não estava tentando a Deus. Ele estava realmente precisando de uma intervenção divina. Os defensores do cristianismo costumam afirmar que, na hora do aperto todos, inclusive os ateus, apelam para Deus. Sendo cristão, certamente aquele casal apelou com toda sua fé para a “ajuda divina”. Mas, como sempre, na vida real e diante de testemunhas de outras crenças, essa ajuda nunca vem - nunca mesmo.

Esse fato nos faz ver a grande incoerência que existe entre o que os cristãos acreditam e o que acontece de fato. Acredito que o simples fato de Deus repetir o feito extraordinário narrado no livro de Daniel, provavelmente resultaria no arrependimento e conversão de alguns daqueles muçulmanos ao cristianismo. E no momento que a bíblia diz, em Lucas 15:7, que “... haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam arrepender-se”, eu não consigo entender o porquê de Deus deixar passar a oportunidade de fazer com que alguns daqueles muçulmanos se arrependessem.

Em vista disso, restam-nos as seguintes perguntas: Se Deus existe, será que ele contraria a bíblia e prefere que o céu seja um lugar triste? Será que Deus não se manifestou porque a crença dos muçulmanos está certa e a dos cristãos errada? Ou será que Deus não se manifestou porque simplesmente não existe?

domingo, 15 de setembro de 2013

AS CRUELDADES DO DEUS DA BÍBLIA.

O Deus que muitos não conhecem.



Muitas vezes somos abordados por algumas pessoas que querem nos mostrar o plano de Deus para a nossa vida, falar do amor e do cuidado com que ele preparou o nosso futuro. O mais incrível nesta história é que estas pessoas citam incansavelmente versos bíblicos para endossar suas afirmações. Podemos nos perguntar se estas pessoas realmente estão falando do mesmo deus que está descrito nas passagens bíblicas que se seguem, mas, acredite, é do mesmo deus que elas falam!

ÊXODO 21:20-21 -  Com a aprovação divina, um escravo pode ser surrado até a morte sem punição para o seu dono, desde que o escravo não morra imediatamente.

LEVÍTICO 26:29; DEUTERONOMIO 28:53; JEREMIAS 19:9; EZEQUIEL 5:8-10 - Como punição, o Senhor fará com que as pessoas comam a carne de seus próprios filhos, filhas, pais e amigos.

NÚMEROS 15:32-36  - Um homem que no Sábado estava pegando gravetos de lenha para uma simples fogueira é apedrejado até a morte segundo a ordem de Deus.

NÚMEROS 16:49 -  Uma praga divina mata 14.700 pessoas.

NÚMEROS 25:9 -  Mais outra praga divina mata 24.000 pessoas.

NÚMEROS 21:35 -  Com o apoio divino os Israelitas matam Ogue, seus filhos e todo o seu povo até não haver sequer um sobrevivente.

NÚMEROS 25:4 -  Disse Deus a Moisés: Toma todos os cabeças do povo e enforca-os ao Senhor diante do Sol, e o ardor da ira do Senhor se retirará de Israel.

DEUTERONÔMIO 20:16 -  “Das cidades destas nações, que o Senhor teu Deus te dá em herança, nenhuma coisa que tem fôlego deixarás com vida”.

JOSUÉ 6:21-27 -  Com aprovação divina, Josué passa ao fio da espada todos os homens, mulheres e crianças da cidade de Jericó.

JOSUÉ 8:22-25 -  Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Ai, matando 12.000 homens e mulheres, sem que nenhum escapasse.

JOSUÉ 10:10-27 -  Com aprovação divina, Josué destrói todo os Gibeonitas.

JOSUÉ 10:28 Com aprovação divina, Josué destrói todo o povo de Maqueda.

JOSUÉ 10:40 -  Assim feriu Josué toda aquela terra, as montanhas, o sul, e as campinas, e as descidas das águas, e a todos os seus reis. Nada deixou de resto; mas tudo o que tinha fôlego destruiu, como ordenara o Senhor Deus de Israel.

JOSUÉ 11:6 -  O senhor ordena a mutilação (corte dos tendões das pernas) de cavalos.

PROVÉRBIOS 137:9 -  Feliz o homem que arrebentar os seus filhinhos de encontro às rochas.

ISAIAS 14:21-22 -  Preparai a matança para os filhos por causa da maldade de seus pais.

EZEQUIEL 9:4-6 -  Ordem do Senhor: “sem compaixão… matai velhos, mancebos, e virgens, e meninos, e mulheres, até exterminá-los….”

EZEQUIEL 21:3-4 -  O Senhor diz que exterminará tanto o justo quanto o ímpio, ferindo-lhes a carne com sua espada.

MATEUS 2:13-16 -  Com a omissão de Deus, Herodes determinou que todas as crianças de dois anos para baixo fossem sumariamente executadas.



CONCLUSÃO


Será que podemos confiar em um deus que agiu como descrito nestas passagens bíblicas? É neste Deus que você deposita todas as suas expectativas?


Muitos poderão dizer que estes textos estão fora do seu contexto, o que não é verdade, mas este é apenas um recurso desesperado daqueles que acreditam cegamente nesse Deus, independentemente das provas contrárias à sua existência.

Fazer o que é correto e o que é bom é a única verdade que nos conduzirá a um futuro melhor e certo. A busca pelo que é direito deve ser o nosso objetivo. Acreditar em nossa capacidade de fazer o bem deve ser a nossa meta de vida.

Pense nisso!

domingo, 1 de setembro de 2013

O RITUAL DA INFIDELIDADE FEMININA



A CONDIÇÃO DA MULHER DE ACORDO COM A BÍBLIA


Esta é mais uma passagem bíblica que os padres e pastores procuram manter longe das suas pregações.
 

Embora esteja no Antigo Testamento, esta não deveria ficar de fora dos sermões, pois a passagem de Malaquias 3.10, que institui o dízimo, também está no Antigo Testamento, mas, nem por isso, deixa de ser citada dia. Trata-se do ritual que deve ser cumprido sempre que um homem desconfiar que está sendo traído por sua esposa, não importando se ela está o traíndo de fato.

Antes que algum religioso mais exaltado queira me apedrejar, como era de costume bíblico, dizendo que estou inventado o caso, quero lembrar que procurei ser o mais fiel possível ao que está descrito em Números  5:12-31. Pode conferir em sua bíblia! Caso não goste do teor do texto, fique à vontade para rasgar as páginas que o contém

Da mesma forma que alguns elementos do texto de Malaquias foram, convenientemente, adaptados à linguagem de hoje, como, por exemplo,  os alimentos a serem ofertados que foram convertidos para dinheiro, adaptaremos também à linguagem de hoje alguns elementos do texto do livro de Números. 

DETALHES DO RITUAL 

Se uma mulher se desviar do seu marido e lhe for infiel, e outro homem deitar-se com ela, e isso estiver oculto de seu marido, e a impureza dela não for descoberta, por não haver testemunha contra ela nem tiver ela sido pega em flagrante; e se o marido dela tiver ciúmes e suspeitar de sua mulher, esteja ela pura ou impura, ele a levará à autoridade da igreja, com uma oferta de um jarro de farinha de cevada em favor dela. Não derramará óleo nem colocará incenso sobre a farinha, porque é uma oferta de cereal pelo ciúme, para que a verdade sobre o pecado seja revelada. 

A autoridade da igreja trará a mulher e a colocará perante o seu deus. Então apanhará um pouco de água amarga num jarro de barro e colocará na água um pouco do pó do chão do templo. 

Depois de colocar a mulher perante o seu deus, a autoridade da igreja soltará o cabelo dela e a oferta memorial em suas mãos, a oferta pelo ciúme, enquanto ele mesmo terá em sua mão a água amarga que traz maldição. Então o sacerdote fará a mulher jurar e lhe dirá:

 “Se nenhum outro homem se deitou com você e se você não foi infiel nem se tornou impura enquanto casada, que esta água amarga que traz maldição não lhe faça mal. Mas, se você foi infiel enquanto casada e se contaminou por ter se deitado com um homem que não é seu marido... que o Senhor faça de você objeto de maldição e de desprezo no meio do povo fazendo que a sua barriga inche e que você jamais tenha filhos.” 

E depois lançará uma maldição sobre a mulher. 

“Que esta água que traz maldição entre em seu corpo, inche a sua barriga e a impeça de ter filhos.” 

Então a mulher dirá:

 '‘Amém. Assim seja."

O sacerdote escreverá essas maldições num documento e depois as lavará na água amarga. Ele a fará beber a água amarga que traz maldição, e essa água entrará nela, causando-lhe amargo sofrimento. 

O sacerdote apanhará das mãos dela a oferta de cereal pelo ciúme, a moverá ritualmente perante o Senhor e a trará ao altar. Então apanhará um punhado da oferta de cereal como oferta memorial e a queimará sobre o altar; depois disso fará a mulher beber a água. 

Se ela houver se contaminado, sendo infiel ao seu marido, quando o sacerdote fizer que ela beba a água que traz maldição, essa água entrará nela e causará um amargo sofrimento; sua barriga inchará e ela, incapaz de ter filhos, se tornará objeto de maldição entre o seu povo. 

Se, porém, a mulher não houver se adulterado, mas estiver pura, não sofrerá punição e será capaz de ter filhos. 

Esse é, pois, o ritual quanto ao ciúme, quando uma mulher for infiel e se contaminar enquanto casada, ou quando o ciúme se apoderar de um homem porque suspeita de sua mulher. O sacerdote a colocará perante o Senhor e a fará passar por todo esse ritual. 

Se a suspeita não se confirmar, o marido estará inocente, não sofrerá nenhuma penalidade. Do contrário, se a mulher tiver realmente adulterado, sofrerá as duras consequências do seu deslize. 

Se esta passagem não fosse, desonestamente, escondida dos olhos das pessoas, certamente não encontraríamos tantas mulheres frequentando as igrejas. 

E também é uma grande desonestidade argumentar dizendo que Jesus, ao morrer, libertou a humanidade de sacrifícios, pois, se isto fosse verdade também teria a libertado do sacrifício do pagamento de dízimos. 

É por desconhecer a bíblia, e por acreditar apenas no que os líderes religiosos dizem, que muita gente passa a seguir alguma religião. 

Para estes desavisados vale também citar um versículo que eles tanto ouvem nos sermões – Errais, não conhecendo as escrituras!

terça-feira, 20 de agosto de 2013

ALÉM DOS DEZ MANDAMENTOS.

Outro dia, lendo os comentários de uma reportagem em um site que procurava mostrar o quanto a Rede Globo é tendenciosa em relação à religião católica, encontrei o comentário de uma senhora que me impulsionou a respondê-la.

O comentário dizia o seguinte:

“Eu sou católica apostólica romana. Minha religião prega a obediência aos Dez Mandamentos da Lei de Deus, que se fossem seguidos como nos manda a Santa Madre Igreja, o mundo seria um paraíso - sem violência, sem crimes, sem inveja, traições, e principalmente, pessoas sem escrúpulos.”

Acho que esta senhora desconhece que a bíblia tem outros mandamentos, além destes dez, aos quais ela se refere, que a sua religião procura, a todo custo, esconder os seus fiéis.

Certamente ela não teria a mesma opinião se conhece os seguintes mandamentos:

Deuteronômio 21.18-21 - que manda apedrejar os filhos desobedientes.

Levítico 20.10 e Deuteronômio 22:22 - que mandam matar todos os infiéis no casamento (não importando os motivos).

Levítico 20:27 - que manda  apedrejar  até a morte os que fazem adivinhações ou previsões (astrólogos,  cartomantes etc).

Levítico 24:16 e Deuteronômio 17.2 -5 - que mandam matar todos que não seguem a sua religião.

Levítico 18:22 - que gera preconceito e homofobia.

Levítico 25:44 - que  apoia abertamente a escravidão.

Levítico 21:9 - Que manda queimar a filha que desonrar seu pai, tornando-se prostituta.


Levítico 19:27 - que não aceita nem mesmo que os homens cortem o cabelo e a barba.

I Timóteo 2:12 - que ordena que as mulheres fiquem caladas diante dos homens e que sejam, incondicionalmente, sujeitas aos seus maridos.

A pergunta que deixo no ar é a seguinte:Será que o mundo seria realmente um paraíso, sem violência e sem crimes, se todo mundo procurasse seguir todos os mandamentos da bíblia?

Eu, particularmente, acredito que não.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

SE ESSA MODA PEGA...

São tantos os absurdos encontrados na bíblia, que se os seus ensinamentos fossem seguidos fielmente, a humanidade correria sérios riscos.

Leia o texto (em vermelho... como sangue) tirado do livro de Deuteronômio 21.18-21.

"Quando alguém tiver um filho contumaz e rebelde, que não obedecer à voz de seu pai e à voz de sua mãe, e, castigando-o eles, lhes não der ouvidos,

Então seu pai e sua mãe pegarão ele, e o levarão aos líderes da sua cidade, e à porta do seu lugar;
E dirão aos líderes da cidade: Este nosso filho é rebelde e contumaz, não dá ouvidos à nossa voz; é um comilão e um beberrão.
Então todos os homens da sua cidade o apedrejarão, até que morra; e tirarás o mal do meio de ti, e toda a nação ouvirá e temerá
.
"

Palavra da salvação. E todos que concordam com ela digam amém! (Ironic mode on).

Agora responda, com sinceridade: Tem cabimento alguém, em sã consciência, se propor a seguir um livro como este?

Felizmente são poucos os que, apesar de se dizerem seguidores da bíblia, não a levam muito a sério.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

DISPARIDADE BÍBLICA

A bíblia diz:

“Já fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo desamparado, nem seus filhos mendigando o pão.” (Salmos 37:2)

Por quê?

“Como está escrito: "Não há nenhum justo, nem um sequer.” (Romanos 3.10)


Outra frase com o mesmo peso:

Nunca vi um saci fumando, pois sacis não existem.

sábado, 15 de junho de 2013

UMA VIAGEM NA MAIONESE.

Alguém em sã consciência pode dar crédito a algo assim?

"E o quarto anjo tocou a sua trombeta, e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas; para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite."  - Apocalipse 8:12

Desde quando a luz do dia precisa do brilho da lua e das estrelas, além do sol?

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Samba do Crioulo Doido.


Tentar entender a bíblia é, definitivamente, uma tarefa em vão. Embora os cristãos, pelo menos a maioria deles, reajam a esta afirmação com indignação, alegando que a bíblia só pode ser compreendida através da fé, a existência de várias crenças que se baseiam nela, com suas diferentes interpretações, é uma evidência de que, mesmo com o atributo da fé, a bíblia é incompreensível.
Até mesmo a alegação de que a compreensão dos textos bíblicos está condicionada à fé é uma contradição, pois a própria bíblia, em alguns dos seus livros, exalta a sabedoria. E, cá entre nós, não é nada sábio ter que abrir mão da racionabilidade para tentar entender alguma coisa.
 Para termos uma ideia de quão confusa e contraditória a bíblia é, basta analisarmos as características e ações do seu personagem principal, Deus, que ora é onipotente, onipresente e onisciente, ora não.
As suas características de onisciência e onipresença já são postas em dúvida nos primeiros versículos do livro de Gênesis, pois ele demonstra não ter conhecimento algum de que a sua principal obra, a criação do mundo, não daria certo. Além de demonstrar também não ter conhecimento de que, ao criar os seus anjos, estaria criando um que se rebelaria contra ele e tentaria destruir a sua obra. Afinal, onde estava ele enquanto o diabo tramava e convencia legiões de anjos a aderirem à sua grande rebelião?

As repetições da frase “e viu Deus que era bom”, após a conclusão de alguns feitos, demonstra que Deus não sabe se algo será bom ou ruim, até que o finalize. Portanto, não é onisciente.

Algumas passagens bíblicas mostram que Deus não é onipresente. Vejamos algumas.

- Gênesis 11:5 - “Então desceu o SENHOR para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam.” – Nota-se, aqui, que Deus precisou descer à terra para ver a cidade, portanto ele não está presente em todos os lugares ao mesmo tempo.

- Jó 1:7 – “Então o SENHOR disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.” Se Satanás precisou sair da terra para ir ao lugar onde Deus estava, conclui-se que Deus não estava na terra.

- Mateus 18.20 – “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.” Ou seja, em situações onde haja menos de duas pessoas, Deus não está presente.

Algumas passagens também contrariam a onipotência e a infalibilidade de Deus. O fato de existirem pessoas más no mundo atual, apesar de Deus, na tentativa de acabar com a maldade no mundo, ter levado quase toda a humanidade ao extermínio com um suposto dilúvio, mostra que Deus não tem o controle do que faz, portanto é falho.

Outro fato que aponta uma grande falha de Deus é a promessa de dar uma terra cheia de maravilhas ao povo de Israel, quando, na realidade, teria dado uma área cheia de conflitos e terras áridas. Foi necessário muito esforço para desenvolver agricultura em Israel, devido à escassez de terras férteis. A propósito, não se sabe onde foram parar as parreiras que, segundo a bíblia, produziam cachos tão pesados que exigiam a força de  dois homens para serem transportados. Aliás, vale lembrar que a terra não foi dada por deus, de acordo com o relato bíblico ela teve que ser conquistada com muita luta e sangue derramado.

Algo que também causa estranheza e, consequentemente, impossibilidade de compreensão é o fato de Deus poder fazer algo e, não se sabe o porquê, não fazê-lo. Por exemplo, de acordo com a bíblia, Deus teria “fechado as madres das mulheres” por algumas vezes (como se a esterilidade feminina pudesse ser ligada e desligada através de um botão interruptor), tornando-as estéreis como punição pela desobediência dos homens. Entretanto, não se sabe se por incapacidade ou sadismo, Deus, por exemplo, não tornam estéreis, mesmo que momentaneamente, como na bíblia, as mulheres vítimas de estupros, viciadas em drogas, com a saúde debilitada ou aquelas que residem, e são vítimas, em regiões assoladas pela fome.

Em outra situação, conforme a bíblia, Deus teria matado o filho de Judá, Er, simplesmente porque ele era mau. Ora, se a maldade é um motivo singular para a morte, por que existiram, e existem ainda, tantas pessoas más?

Ainda na mesma linha de raciocínio, não se entende porque Deus optou por utilizar porta-vozes para se comunicar com as pessoas. Se o seu desejo mor é que todos os seres humanos acreditem nele e o adorem, por que ele não fala diretamente a cada um deles? Este simples ato (de justiça, diga-se de passagem) evitaria que ele condenasse e jogasse toneladas e mais toneladas de pessoas no inferno, um lugar de tortura eterna criado por ele para punir as pessoas. Além disso, evitaria ter que amaldiçoar a maioria das pessoas por confiarem no que alguns homens, que elas não conhecem, escreveram em há milênios, pois ele mesmo diz, de acordo com a bíblia, que maldito é o homem que confia em outro homem.

Outra característica muito marcante do deus bíblico é a sua desumanidade, a sua frieza diante do sofrimento das pessoas. Não tenho dados precisos para apontar um número exato, mas posso assegurar que são poucos os livros da bíblia que não narram algum episódio que contenha derramamento de sangue.
De acordo com o que lemos na bíblia, Deus, a fim de por em prática o seu plano de salvar um número insignificante de pessoas (em relação ao grande número das que seriam condenadas), não dá a mínima importância ao rastro de sangue que deixa ao longo de toda a história da humanidade.

Na bíblia, o derramamento de sangue começa nas primeiras páginas do primeiro livro, Gênesis 4.8, e chega a molhar as últimas páginas do último livro, Apocalipse 19.21.

Para os seguidores da bíblia, o homem foi criado semelhante ao seu deus, mas a recíproca parece não ser verdadeira, pois, se fosse semelhante ao homem, Deus não o fadaria a sentir uma dor tão dilacerante, que chega ao mais profundo do seu ser, quanto a dor da perda de um ente querido.

Também não permitiria que certos tipos de doenças recaíssem sobre ele, causando-lhe dores intensas e muito sofrimento, algumas delas atormentando-o por vários anos, até que ele não resista mais e morra.

Se o deus bíblico existisse de fato, e impusesse todas estas coisas à humanidade simplesmente pelo fato de o primeiro casal, supostamente criado por ele, ter desobedecido aos seus mandamentos, ele, ao contrário do que os seus seguidores dizem, seria um ser extremamente injusto, pois estaria condenando bilhões e bilhões de pessoas a pagarem por atos que elas não cometeram.

Embora, se ele realmente existisse, não poderíamos jamais esperar o mínimo de sensibilidade da sua parte, pois, o fato de ele sentenciar um réu que comete um delito passageiro a uma pena com sofrimento eterno, demonstraria que ele não teria o menor senso de justiça.

Ressaltando que, mesmo que Deus, supostamente, tenha vindo à terra como homem, personificado em Jesus, a sua condição humana seria muito diferente da nossa, pois saberia que ele era Deus e teria a consciência de onde teria vindo e para onde iria após a sua morte (supondo que exista vida após a morte), enquanto nós não temos esta consciência.

Enfim, acredito que este enunciado tenha sido suficiente para mostrar que a bíblia é um livro totalmente contraditório e sujeito a várias interpretações diferentes; um verdadeiro samba do crioulo doido. 

Portanto, em minha opinião, é um risco muito grande adotá-la como um guia para nortear as nossas vidas, pois, para aceitá-la como verdadeira, precisaríamos “fechar os olhos” para muitas das suas passagens que mostram o contrário. Isso significa que precisaríamos deixar que a emoção sobrepujasse a nossa razão, e sempre que deixamos isso acontecer, corremos um sério risco de errar.